Nossa Senhora do silêncio
Por: D. FRANCO MASSERDOTTI, Bispo de Balsas – BrasilÉ um silêncio quase completo. Mas não é um silêncio vazio. É capacidade de escuta de Deus e do povo.
A missionariedade de Maria se expressa também na “normalidade” cheia de amor, na convivência com o povo de Nazaré.
A discrição evangélica deste período dura mais de 40 anos, e indica a simplicidade, a ausência de novidades, à humildade do pobre na sua vida sem imprevistos.
É um silêncio quase completo. Mas não é um silêncio vazio. É capacidade de escuta de Deus e do povo.
É, sobretudo capacidade de contemplação: «Maria conservava todas estas coisas em seu coração». (Lc 2, 51). «Conservar» significa lembrar com cuidado, interiorizar; «em seu coração» indica o envolvimento íntimo e profundo.
Podemos imaginar a contemplação de Maria como sendo:
* ligada à história da fidelidade de Deus às suas promessas;
* alimentada pela Palavra e pela presença de Jesus;
* solícita em ver com amor o rosto desfigurado de seu Senhor nos irmãos;
* orientada para a doação e o serviço.
Ser missionário significa conviver com o povo, assumir os ritmos, as angústias, as esperanças e as lutas do povo, fazer com o povo, mais do que em prol do povo.
É tornarem-se contemplativos de Deus na história do povo, que deve tornar-se história de salvação.
Um exemplo lindíssimo desta atitude missionária é o comportamento de Maria nas bodas de Caná (Jo 2, 1-12).
Maria é aquela que apresenta o caso a Jesus e, depois, diz aos servidores: «Fazei aquilo que Ele vos disser».
Evangelizar exige:
* conhecer os casos, analisar a realidade, evidenciar as dificuldades, sentir os problemas do povo;
* tornar-se intercessor do povo junto ao Senhor;
* saber interpretar os acontecimentos à luz da Palavra;
* ser presença discreta para promover o povo no sentido de agir segundo as perspectivas do Reino («fazei o que Ele vos disser»).
Maria ensina-nos na evangelização:
* a atenção, tanto diante do mistério de Deus como diante das situações simples da vida. Ela consiste na vigilância sobre os outros, na presteza e rapidez para notar o sofrimento e a necessidade em torno de si, para doar-se;
* a concretização que é capacidade de ouvir, refletir, decidir, agir; é equilíbrio entre ouvido e olho, entre coração e mãos, sem entregar-se a entusiasmos efêmeros, a ilusões, sem cair no ativismo ou na agitação inconcludente e neurótica (cfr. card. C. M. Martini, A Mulher da Reconciliação).
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